Aprecio esse ditado. Nele mostra-se uma grande quantidade de sabedoria e vivência popular. Talvez eu seja por demais crítico e ou (in)tolerante demais. Mas, ao olhar a meu redor seleciono muito bem com quem compartilho ou não. Digo, nem sempre acerto, que a pessoa é subproduto do meio que ela vive. E não adianta não podemos fugir disso. Os arquétipos estão ali, e são na sua grande maioria comuns. Volta e meia aparce um diamante bruto no meio a caverna densa e escura. Pense assim, ou ele se lapida ou continua bruto para sempre. O problema que muitos aindameioquelapidados parecem lapidados, e ai reside o tormento.
As aparências, nos anos que vivi e passei o mais comum é ver pessoas que são aquilo que são, ou as pessoas que "mudam" para ser aceitas. E isso não é só no "mainstream" o convencional se esconde menos que "inusitados" que aliás nada tem em inusitado ou extraordinário o fato de alguém ser de carne e osso.
A humanidade cansa.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
The end of the road
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Aparências - além da visão.
Existem coisas que vão além do que os olhos podem ver. A visão de fato apenas nos impede o raciocínio algumas vezes. "Qual sua tragédia?" "Qual seu nome?" "Quem é você?". Essa "estranheza" vai além do que os olhos podem ver. O momento deferido, a hora morta. Mas, há algo que puxa nas entranhas do ser, uma força maior.
O mundo um rio de possibilidades embora meu ceticismo diga que tudo é aleatório, existe sempre uma certa ordem no caos. Penso que alguns ciclos se auto-renovam em si mesmos enquanto outros apodrecem lentamente. Como o lamento aos mortos, ou ao contemplar algo com aquela carinha de dejá vu.
Ai tu pensas:
-Ah, pode ser o cigarro ou café.
Escuridão não é uma coisa ruim (e nem boa) é apenas a ausência de luz. Veja bem, não gosto de luz pois irrita meus olhos. Pela lógica para mim, luz é algo ruim. E como tudo é opinião, e o blog é meu, prefiro o escuro. Embora pareça algo desacerbadamente cliché, há um certo charme nas partes que ficam escondidas. E a luz revela demais, imperfeições que são imperceptíveis no umbral.
Nada é perfeito.
Nada é eterno.
E nada é perfeitamente eterno.
Porém, existem alguns intanstes que são. Ora tormento, ora gozo. E a repetição cria uma fábrica do eterno.
Assim como todos não sou transparente.
O individual anda abalado.
Existence fails...
Tomorrow prevails...
Anyway...
Ando muito desconsertado mesmo.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Lamento da inexorável finitude.
Tenha uma vida digna. - Dizia a placa em frente da minha casa. Venho observando essa placa há anos e até hoje não sei dizer o que isso significa. O que vem a ser esta tal dignidade?
Isso não é uma ficção.
Nas noites que meu corpo flutua perambulando pela casa e dificilmente o sono aparece quando a cabeça esta cheia, penso nas probalidades e no sentido dessa frase.
Vamos aos fatos, buscando a resolução do problema.
1- Defina vida.
2- Defina dignidade.
3- Como ter as duas.
Nessas últimas noites a clave de sol parece um pouco deslocada das tablaturas. E o que parece a ser um sentimento em dó tende ao bemol. A orquestra dissonante de um hiato sensorial. Para facilitar a demonstração deste raciocínio noturno pego as definições do Priberam:
vida | s. f.
vida
s. f.
1. O período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres.
2. Modo de viver.
3. Comportamento.
4. Alimentação e necessidade da vida.
5. Ocupação, profissão, carreira.
6. Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade!atividade (diz-se das pessoas e das coisas).
7. Fundamento, essência; causa, origem.
8. Biografia.
2- Digno(a)
digno
adj.
adj.
1. Merecedor, credor, benemérito.
2. Brioso; pundonoroso; honrado; correcto!correto.
3. Ilustre; grande; nobre.
4. Hábil; capaz.
5. Merecido; correspondente ao merecimento; proporcionado.
Bem aqui cruzei alguns resultados.
- 3. Comportamento. 3. Ilustre; grande; nobre - Nesse caso acabei em um paradoxo... Comportamento Ilustre perante quem ou o quê?
4. Alimentação e necessidade da vida. 4. Hábil; capaz. - A vida isolada tem isso, não?
O que me chama atenção na definição de digno é justamente essa:
4. Hábil; capaz.
Viver requer muita habilidade e capacidade, e isso não é discurso otimista, devido ao fato que o aleatório se faz presente. Seria como jogar um jogo de azar mas onde a habilidade do jogador seja fundamental. E isso é apenas um pequeno extrato das coisas que passam na minha cabeça.
- Have a life, have a job. And now?
O contato social é algo extremamente complexo ora é bom ora ruim, não é que nem um pedaço de lazanha ou um café com cigarro lendo um livro. A vida em si e seus demais aspectos forjam um rede sufocante. E a habilidade (capacidade) de flutuar sobre a teia é relevante. Talvez a vida e a dignidade não andem juntas, talvez andem. Mas o necessário seria relevar as probalidades e lidar com o caos que as mesmas juntas podem causar.
Apenas delírios notívagos sem nenhum propósito...
Isso não é uma ficção.
Nas noites que meu corpo flutua perambulando pela casa e dificilmente o sono aparece quando a cabeça esta cheia, penso nas probalidades e no sentido dessa frase.
Vamos aos fatos, buscando a resolução do problema.
1- Defina vida.
2- Defina dignidade.
3- Como ter as duas.
Nessas últimas noites a clave de sol parece um pouco deslocada das tablaturas. E o que parece a ser um sentimento em dó tende ao bemol. A orquestra dissonante de um hiato sensorial. Para facilitar a demonstração deste raciocínio noturno pego as definições do Priberam:
vida | s. f.
vida
s. f.
1. O período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres.
2. Modo de viver.
3. Comportamento.
4. Alimentação e necessidade da vida.
5. Ocupação, profissão, carreira.
6. Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade!atividade (diz-se das pessoas e das coisas).
7. Fundamento, essência; causa, origem.
8. Biografia.
2- Digno(a)
digno
adj.
adj.
1. Merecedor, credor, benemérito.
2. Brioso; pundonoroso; honrado; correcto!correto.
3. Ilustre; grande; nobre.
4. Hábil; capaz.
5. Merecido; correspondente ao merecimento; proporcionado.
Bem aqui cruzei alguns resultados.
- 3. Comportamento. 3. Ilustre; grande; nobre - Nesse caso acabei em um paradoxo... Comportamento Ilustre perante quem ou o quê?
4. Alimentação e necessidade da vida. 4. Hábil; capaz. - A vida isolada tem isso, não?
O que me chama atenção na definição de digno é justamente essa:
4. Hábil; capaz.
Viver requer muita habilidade e capacidade, e isso não é discurso otimista, devido ao fato que o aleatório se faz presente. Seria como jogar um jogo de azar mas onde a habilidade do jogador seja fundamental. E isso é apenas um pequeno extrato das coisas que passam na minha cabeça.
- Have a life, have a job. And now?
O contato social é algo extremamente complexo ora é bom ora ruim, não é que nem um pedaço de lazanha ou um café com cigarro lendo um livro. A vida em si e seus demais aspectos forjam um rede sufocante. E a habilidade (capacidade) de flutuar sobre a teia é relevante. Talvez a vida e a dignidade não andem juntas, talvez andem. Mas o necessário seria relevar as probalidades e lidar com o caos que as mesmas juntas podem causar.
Apenas delírios notívagos sem nenhum propósito...
domingo, 18 de outubro de 2009
Para Susan com amor
Esta não é uma história de amor, e eu nem sequer conheço uma tal de Susan. Houve uma época que alguém à conheceu. Era um doutor-bioquímico suíço com nome alemão.
Wilhelm é o pai disso que seguro na minha mão esquerda, a droga mais potente de todo o mundo:
-Para Susan com amor.
Irônico não? Susan era a esposa de Wilhelm que tinha um caso com Zoe. Zoe era prostituta e Susan por sua vez era pintora. Talvez você fique entediado com essa parte da história, como lhe falei não há amor aqui, e Susan é só um nome de droga, que está na minha mão esquerda. Parece estranho mas estar aqui me despertou a vontade compartilhar a origem dessa droga, que por muito tempo julguei ser uma lenda urbana. Não me interrompa.
Susan era uma mulher anormal, gostava de Wilhelm. Mas com o tempo a relação dos dois ficara enfadonha, e não era por causa da rotina. O doutor ficou obcecado pela criação de um remédio que salvaria vidas, trabalhava em uma cura para o câncer. Susan se preocupava com uma nova expressão artística, estava obcecada por auto-retratos.
Enquanto o Doutor estudava, Susan pintava, Zoe estava no distrito vermelho e com certeza, ela não buscava absolutamente nada. Três dias atrás estava na esquina de um dos becos sujos da cidade, encontrei com um lacaiozinho o nome dele era Charles.
Estava completamente fumado, seus olhos esbugalhavam-se e as mãos bem retraídas. Parecia um circo, e eu era o palhaço. Ele falou algumas palavras, enquanto babava-se. A única coisa que escutei ele dizer com clareza foi:
-Para Susan com amor.
Eu não acreditei à primeira ouvida. Achava que era uma obsessão antiga, e agora isso era apenas uma linha esquecida no canto do jornal. Ele sorria, e disse novamente.
-Para Susan com amor. – e apontava para a rua.
Questionei sobre onde ele havia escutado esse nome, quem lhe disse. Não adiantou muito, há três dias atrás meus delírios foram comprovados. Existia a droga, e alguém a tinha por aí, era uma questão de tempo.
Com o passar dos anos e a relação esfriando Susan, depois de pintar muitos auto-retratos, contraiu uma grave doença, Wilhelm parou com a pesquisa em câncer e dedicou-se a diagnosticar a esposa. Em vão, passava noites no laboratório, mandando amostras de sangue para todo o mundo e não recebia nenhuma resposta.
Sai do beco e fui até um bar. Minha cabeça estava rodando em gozo. Realmente a tal droga existia. Uma procura de muitos anos finalmente estava para acabar. No bar eu iria encontrar com alguns tipinhos que conheço, informação é sempre fácil de se conseguir quando se tem uns trocados no bolso para pagar uns tragos. A noite começava a feder.
Escrevi em um papel manchado com café:
-Para Susan com amor. – assim não precisaria falar muito.
Wilhelm andava exausto pois não sabia ao certo o que a esposa tinha, mas uma coisa sabia ele iria cura-la. Dobrou o turno de trabalho no laboratório, mal se viam. Susan sabia que viria a morrer em breve e dobrou as horas no atelier. Os anos foram passando, Wilhelm cada vez mais longe da cura, e Susan cada vez mais perto da morte.
Quando entrei no bar vi as mesmas pessoas de sempre: brancos, negros, amarelos, drogados, prostitutas e policias disfarçados. Não entendo porque um policial se disfarça se quem é treinado na rua consegue farejar um agente da lei a kilômetros. A tentativa é livre, o obcecado por uma lenda urbana falando. Bem isso foi há três dias atrás.
Havia um sujeito sentado na copa, seu nome era Martin, mas gostava de se chamado de Estirpador. Sabe esses maníacos homicidas com mania de grandeza? Esse era o Martin, dois metros de altura, musculoso e burro feito uma porta. Se o dobrasse sabia que conseguiria as informações necessárias para encontrar a tal droga.
O doutor tinha envelhecido muito nos últimos anos, Susan definhava no seu leito. Para pintar ele amarrava os pinceis nos dedos para que não os soltasse no chão.
Wilhelm às vésperas de criar a nova droga se sentia sozinho. O corpo gritava por sexo mas não tinha cara nem coragem de ir até a cama, ele foi fraco e resolveu pagar uma prostituta e então ele foi para o distrito vermelho.
Paguei uma dose de uísque ao Martin, ele tinha ficado contente. Me falou dos seus grandes planos, assassinatos, roubos era o terror em pessoa. Nada daquilo me interessava, só queria saber o que você já sabe o que eu queria. E como você pode ver, está na minha mão esquerda, uma bela pílula não? Estávamos muito bêbados, ele disse que falaria onde ouviu falar se eu fosse com ele até o centro da cidade.
-Pelos velhos tempos – Disse ele batendo nas minhas costas.
Obviamente eu acabei indo, nos divertimos isso basta. Me falou que os meninos do cais sabiam, era uma pista. Já era tarde no outro dia iria até lá.
Por volta das três da manha Wilhelm estava na Zona. Se sentia pesado, suas roupas eram grandes. Usava uma capa sobre o terno. Era de couro, material bom. Seus óculos redondos e pequeninos escondiam seu olhar. Ele só queria uma prostituta para deitar aquela noite. E então viu Zoe.
Pela manhã fui para as docas. Lá era um lugar perigoso, até mesmo para mim altamente relacionado com o submundo e acredite, isso não foi uma ironia. Havia sido tranqüilo, me falaram onde arrumar a droga, custou-me um nota. Essa noite teria Para Susan com amor. Zoe correu até o doutor. Ele a pegou nos braços, enlaçando-a. Passou a noite lá, quando saiu era manhã e sol ardia sobre a cidade. Zoe despediu-se. Wilhelm, o adultero ia para a casa com a culpa sobre o corpo, na hora ninguém pensa não é mesmo?
Ai você fica me olhando, eu aqui parado. Com essa coisinha na mão, fica se vangloriando mas o vencedor fica com as batatas não é?
E quem são as batatas?
Quando voltou, o doutor rumou direto ao laboratório. Conta-se que passou três dias sem sair, e finalmente concluiu sua obra-prima. Wilhelm estava feliz, a culpa aliviada. Correu para o quarto e constatou que Susan estava morta há três dias. Tomado por raiva e culpa, tentou se matar, em vão.
Ontem, você sabe... Estava naquela esquina, no lugar marcado, na hora marcada.
Anos de luta, resumidos a um simples e notívago encontro. O nome do sujeito era Arthur. Conversamos, e ele não quis me vender a droga. Então você sabe o que aconteceu. E nada mais tenho para falar.
Ah sim, havia esquecido. O doutor pegou sua criação, eram em torno de doze pílulas e as levou para o distrito. Passou a noite novamente com Zoe, e pela culpa a fez tomar o remédio. Esperto e cretino do jeito que era Wilhelm diluiu a pílula na bebida da mulher.
Os relatos e a certidão de óbito dizem que ela viajou durante três dias e morreu comida pelos seu próprio sistema imunológico, o verdadeiro suicídio. O doutor tomou também, e aconteceu o mesmo. Quando encontraram o corpo do Doutor no bolso havia um bilhete:
-Para Susan com Amor.
E você acha mesmo que vou esperar o julgamento, e morrer na cadeira elétrica?
Wilhelm é o pai disso que seguro na minha mão esquerda, a droga mais potente de todo o mundo:
-Para Susan com amor.
Irônico não? Susan era a esposa de Wilhelm que tinha um caso com Zoe. Zoe era prostituta e Susan por sua vez era pintora. Talvez você fique entediado com essa parte da história, como lhe falei não há amor aqui, e Susan é só um nome de droga, que está na minha mão esquerda. Parece estranho mas estar aqui me despertou a vontade compartilhar a origem dessa droga, que por muito tempo julguei ser uma lenda urbana. Não me interrompa.
Susan era uma mulher anormal, gostava de Wilhelm. Mas com o tempo a relação dos dois ficara enfadonha, e não era por causa da rotina. O doutor ficou obcecado pela criação de um remédio que salvaria vidas, trabalhava em uma cura para o câncer. Susan se preocupava com uma nova expressão artística, estava obcecada por auto-retratos.
Enquanto o Doutor estudava, Susan pintava, Zoe estava no distrito vermelho e com certeza, ela não buscava absolutamente nada. Três dias atrás estava na esquina de um dos becos sujos da cidade, encontrei com um lacaiozinho o nome dele era Charles.
Estava completamente fumado, seus olhos esbugalhavam-se e as mãos bem retraídas. Parecia um circo, e eu era o palhaço. Ele falou algumas palavras, enquanto babava-se. A única coisa que escutei ele dizer com clareza foi:
-Para Susan com amor.
Eu não acreditei à primeira ouvida. Achava que era uma obsessão antiga, e agora isso era apenas uma linha esquecida no canto do jornal. Ele sorria, e disse novamente.
-Para Susan com amor. – e apontava para a rua.
Questionei sobre onde ele havia escutado esse nome, quem lhe disse. Não adiantou muito, há três dias atrás meus delírios foram comprovados. Existia a droga, e alguém a tinha por aí, era uma questão de tempo.
Com o passar dos anos e a relação esfriando Susan, depois de pintar muitos auto-retratos, contraiu uma grave doença, Wilhelm parou com a pesquisa em câncer e dedicou-se a diagnosticar a esposa. Em vão, passava noites no laboratório, mandando amostras de sangue para todo o mundo e não recebia nenhuma resposta.
Sai do beco e fui até um bar. Minha cabeça estava rodando em gozo. Realmente a tal droga existia. Uma procura de muitos anos finalmente estava para acabar. No bar eu iria encontrar com alguns tipinhos que conheço, informação é sempre fácil de se conseguir quando se tem uns trocados no bolso para pagar uns tragos. A noite começava a feder.
Escrevi em um papel manchado com café:
-Para Susan com amor. – assim não precisaria falar muito.
Wilhelm andava exausto pois não sabia ao certo o que a esposa tinha, mas uma coisa sabia ele iria cura-la. Dobrou o turno de trabalho no laboratório, mal se viam. Susan sabia que viria a morrer em breve e dobrou as horas no atelier. Os anos foram passando, Wilhelm cada vez mais longe da cura, e Susan cada vez mais perto da morte.
Quando entrei no bar vi as mesmas pessoas de sempre: brancos, negros, amarelos, drogados, prostitutas e policias disfarçados. Não entendo porque um policial se disfarça se quem é treinado na rua consegue farejar um agente da lei a kilômetros. A tentativa é livre, o obcecado por uma lenda urbana falando. Bem isso foi há três dias atrás.
Havia um sujeito sentado na copa, seu nome era Martin, mas gostava de se chamado de Estirpador. Sabe esses maníacos homicidas com mania de grandeza? Esse era o Martin, dois metros de altura, musculoso e burro feito uma porta. Se o dobrasse sabia que conseguiria as informações necessárias para encontrar a tal droga.
O doutor tinha envelhecido muito nos últimos anos, Susan definhava no seu leito. Para pintar ele amarrava os pinceis nos dedos para que não os soltasse no chão.
Wilhelm às vésperas de criar a nova droga se sentia sozinho. O corpo gritava por sexo mas não tinha cara nem coragem de ir até a cama, ele foi fraco e resolveu pagar uma prostituta e então ele foi para o distrito vermelho.
Paguei uma dose de uísque ao Martin, ele tinha ficado contente. Me falou dos seus grandes planos, assassinatos, roubos era o terror em pessoa. Nada daquilo me interessava, só queria saber o que você já sabe o que eu queria. E como você pode ver, está na minha mão esquerda, uma bela pílula não? Estávamos muito bêbados, ele disse que falaria onde ouviu falar se eu fosse com ele até o centro da cidade.
-Pelos velhos tempos – Disse ele batendo nas minhas costas.
Obviamente eu acabei indo, nos divertimos isso basta. Me falou que os meninos do cais sabiam, era uma pista. Já era tarde no outro dia iria até lá.
Por volta das três da manha Wilhelm estava na Zona. Se sentia pesado, suas roupas eram grandes. Usava uma capa sobre o terno. Era de couro, material bom. Seus óculos redondos e pequeninos escondiam seu olhar. Ele só queria uma prostituta para deitar aquela noite. E então viu Zoe.
Pela manhã fui para as docas. Lá era um lugar perigoso, até mesmo para mim altamente relacionado com o submundo e acredite, isso não foi uma ironia. Havia sido tranqüilo, me falaram onde arrumar a droga, custou-me um nota. Essa noite teria Para Susan com amor. Zoe correu até o doutor. Ele a pegou nos braços, enlaçando-a. Passou a noite lá, quando saiu era manhã e sol ardia sobre a cidade. Zoe despediu-se. Wilhelm, o adultero ia para a casa com a culpa sobre o corpo, na hora ninguém pensa não é mesmo?
Ai você fica me olhando, eu aqui parado. Com essa coisinha na mão, fica se vangloriando mas o vencedor fica com as batatas não é?
E quem são as batatas?
Quando voltou, o doutor rumou direto ao laboratório. Conta-se que passou três dias sem sair, e finalmente concluiu sua obra-prima. Wilhelm estava feliz, a culpa aliviada. Correu para o quarto e constatou que Susan estava morta há três dias. Tomado por raiva e culpa, tentou se matar, em vão.
Ontem, você sabe... Estava naquela esquina, no lugar marcado, na hora marcada.
Anos de luta, resumidos a um simples e notívago encontro. O nome do sujeito era Arthur. Conversamos, e ele não quis me vender a droga. Então você sabe o que aconteceu. E nada mais tenho para falar.
Ah sim, havia esquecido. O doutor pegou sua criação, eram em torno de doze pílulas e as levou para o distrito. Passou a noite novamente com Zoe, e pela culpa a fez tomar o remédio. Esperto e cretino do jeito que era Wilhelm diluiu a pílula na bebida da mulher.
Os relatos e a certidão de óbito dizem que ela viajou durante três dias e morreu comida pelos seu próprio sistema imunológico, o verdadeiro suicídio. O doutor tomou também, e aconteceu o mesmo. Quando encontraram o corpo do Doutor no bolso havia um bilhete:
-Para Susan com Amor.
E você acha mesmo que vou esperar o julgamento, e morrer na cadeira elétrica?
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Impressões Dionísicas.
Sol fulgurando raios vermelhos!
Distância que sinto do EU.
Meu rosto partindo em espelhos.
Perdendo aqilo que fora meu.
Vinho que estanca meu sangrar!
Tarde maldita que segue lá fora.
Dor que remonta meu olhar.
Suma luz bastarda! Vá embora!
É dor, mesmo que invisível.
Deita em teu corpo.
É ódio mesmo que destrutível.
Toma em meu copo.
Taças não feitas de crânios.
Lábios feitos de pesadelos.
Vinho.
Mesmo que por inteiro.
Distância que sinto do EU.
Meu rosto partindo em espelhos.
Perdendo aqilo que fora meu.
Vinho que estanca meu sangrar!
Tarde maldita que segue lá fora.
Dor que remonta meu olhar.
Suma luz bastarda! Vá embora!
É dor, mesmo que invisível.
Deita em teu corpo.
É ódio mesmo que destrutível.
Toma em meu copo.
Taças não feitas de crânios.
Lábios feitos de pesadelos.
Vinho.
Mesmo que por inteiro.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Compêndio do conhecimento para acéfalos - Parte 1
Então você chega em casa e dá um sorrisinho escarnecendo o mundo. Logo ao abrir a porta você caminha bem devagar sobre o assoalho feito com alguma madeira nobre. Caminha como se fosse um dinossauro, as patas batendo bem forte no chão tudo estremece. Entre a porta e a sala são apenas alguns longos passos, seu sorriso e satisfação por mais um dia no seu nobre lar. E lá está você! Cheio de si, cagando para tudo e todos, com suas calças caras e sua camisa que custaram bem mais caro que o guarda-roupa inteiro daqueles que conhece bem. Senta-se ao sofá, um sofá caro e confortável. Puro luxo! E ali sua bunda fica hermeticamente confortável, o fruto do conhecimento de físicos, engenheiros e etecetera. Olha as horas no seu ultra-caro relógio de ouro que funciona com corda ou pilhas, às vezes ambos. São dez da noite e ali é o fruto do seu nobre trabalho:
-Ganhar dinheiro fácil.
Ao girar seu pulso, você alcança facilmente o controle-remoto da sua tevê de plasma, vê as notícias em algum canal de lingua estrangeira, põe as mãos no queixo e presta atenção em tudo o que o homenzinho engravatado está dizendo "Nasdaq aumentou dois pontos." "Wallstreet está em polvorosa." "Steve Jobs abre mais espaço para sua fantástica Apple". O fascínio toma conta. Você almeja estar lá, nas telas esbanjando simpatia e sorrisos forçados. Quer estar entre os figurões do mercado. Você é simplesmente o cara.
E então percebe que tem um livro no chão. Encara-o e não sabe o porquê dele estar ali te encarando. Não é nenhum "Arte da guerra" "A vida de Steve Jobs" ou qualquer livrinho sobre como ficar rico, ou como encher o rabo de dinheiro vendendo porcarias inúteis que de repente tornam-se essênciais à humanidade. É um livro e ele está ali. Suas mãos o pegam, tocam e sentem o cheiro do papel. Você pensa "Nossa, que troço asqueroso.". E o joga no lixo. Afinal de contas, você é o supremo. O alfa-dog. Você é foda.
Ai eu me pergunto...
Será?
-Ganhar dinheiro fácil.
Ao girar seu pulso, você alcança facilmente o controle-remoto da sua tevê de plasma, vê as notícias em algum canal de lingua estrangeira, põe as mãos no queixo e presta atenção em tudo o que o homenzinho engravatado está dizendo "Nasdaq aumentou dois pontos." "Wallstreet está em polvorosa." "Steve Jobs abre mais espaço para sua fantástica Apple". O fascínio toma conta. Você almeja estar lá, nas telas esbanjando simpatia e sorrisos forçados. Quer estar entre os figurões do mercado. Você é simplesmente o cara.
E então percebe que tem um livro no chão. Encara-o e não sabe o porquê dele estar ali te encarando. Não é nenhum "Arte da guerra" "A vida de Steve Jobs" ou qualquer livrinho sobre como ficar rico, ou como encher o rabo de dinheiro vendendo porcarias inúteis que de repente tornam-se essênciais à humanidade. É um livro e ele está ali. Suas mãos o pegam, tocam e sentem o cheiro do papel. Você pensa "Nossa, que troço asqueroso.". E o joga no lixo. Afinal de contas, você é o supremo. O alfa-dog. Você é foda.
Ai eu me pergunto...
Será?
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Correr ou lutar? - Nenhum.
É bem isso.
Nenhum.
Estranho? Simples, quantas vezes já lutasse contra algo que não há possibilidade de vitória e quantas vezes já corresse de confrontos inevitáveis?
A resposta é simples:
-Nenhum, além disso é inútil. Perder energia...
Face a face com tais possibilidades, sobra o tédio. Aquela sensação de Déja vu inesgotável. E tem horas que parecem que tenho um saquinho cheios de pocket déja vu.
Quando nada mais surpreende a gente, sobra a surpresa por coisas que normalmente não nos surpreenderiam. Logo, o efeito seria extremamente antagônico que o inicial. Algo tipo...psicologia reversa para newbies.
Outro assunto esbarra o tédio.
Se ele é indestrutível qual é o problema?
-NENHUM!
O mundo não é lá tão colorido assim para que todas as coisas sejam tão vermelhinhas ou rosáceas(é da flor mesmo). Não gosto da visão Doriana of life. Sentar à mesa com o sorriso borrachudo, a boca cheia de pão, cabelos loiros ao vento e aquela cara de retardado nojento olhando para os "familiares" com carinha de cãozinho feliz. Sinceramente eu odeio Margarina e odeio as propagandas de Margarina (embora não assista tv há mais de 4 anos, não gostava das propagandas mesmo).
E que artefato inútil essa tal televisão.
Sobra outra probabilidade:
-Famílias imperfeitas - Não recordo de outras propagandas, não vejo tv lembram?
Igual, não faz sentido nada nesse post, e o que na nossa vida faz sentido?
Ser tragado pela alegria ou pela tristeza?
Margarina ou Manteiga?
Correr ou lutar?
Nenhum.
Sobra então a noite. E ela é toda minha.
Nenhum.
Estranho? Simples, quantas vezes já lutasse contra algo que não há possibilidade de vitória e quantas vezes já corresse de confrontos inevitáveis?
A resposta é simples:
-Nenhum, além disso é inútil. Perder energia...
Face a face com tais possibilidades, sobra o tédio. Aquela sensação de Déja vu inesgotável. E tem horas que parecem que tenho um saquinho cheios de pocket déja vu.
Quando nada mais surpreende a gente, sobra a surpresa por coisas que normalmente não nos surpreenderiam. Logo, o efeito seria extremamente antagônico que o inicial. Algo tipo...psicologia reversa para newbies.
Outro assunto esbarra o tédio.
Se ele é indestrutível qual é o problema?
-NENHUM!
O mundo não é lá tão colorido assim para que todas as coisas sejam tão vermelhinhas ou rosáceas(é da flor mesmo). Não gosto da visão Doriana of life. Sentar à mesa com o sorriso borrachudo, a boca cheia de pão, cabelos loiros ao vento e aquela cara de retardado nojento olhando para os "familiares" com carinha de cãozinho feliz. Sinceramente eu odeio Margarina e odeio as propagandas de Margarina (embora não assista tv há mais de 4 anos, não gostava das propagandas mesmo).
E que artefato inútil essa tal televisão.
Sobra outra probabilidade:
-Famílias imperfeitas - Não recordo de outras propagandas, não vejo tv lembram?
Igual, não faz sentido nada nesse post, e o que na nossa vida faz sentido?
Ser tragado pela alegria ou pela tristeza?
Margarina ou Manteiga?
Correr ou lutar?
Nenhum.
Sobra então a noite. E ela é toda minha.
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Hipocrisia,
Insatisfação,
tédio
Do pó ao pó.
Finalizando a leitura de Pergunte ao Pó, cheguei a conclusão de que o prefácio está realmente correto.
"Cada linha tem sua própria energia(...)" - Buk.
É um daqueles livros que quando tu termina a leitura, imediatamente uma nova começa e assim ad infinitum. Bandini e Camilla ainda não saem da minha cabeça. As ruas de L.A ainda permanecem vivas na minha memória, não nunca estive em L.A fisicamente, vivo muito lá ultimamente.
Eis que saio da L.A poética de Fante totalmente emocional, uma cidade viva mas ao mesmo tempo morta. E entro diretamente na nova L.A de Palahniuk, uma cidade mais de mentira um lugar cruel e sombrio. É estranho tudo isso pois a L.A de Bukowski é uma cidade mais "agitada" (óbvio, fator tempo) e já de Palahniuk uma cidade de vidro, cheia de turistas.
Ah... Sinto que conheço aquelas ruas... De Long Beach a Bunker Hill ou nos intermináveis bares do distrito!
Quantas cervejas tomamos, o uísque barato e a lascívia pelas ruas.
Mas nada disso importa e sim a cidade que respira por si própria. E como o próprio Buk diz:
"Los Asnos" é uma cidade assaz divertida, quando retratada em prosa. E na prosa desses três... comecei a ver a City com outros olhos.
Nunca imaginara que Los Angeles poderia se tornar uma cidade interessante no meu "péssimo" gosto para cidades.
Enfim...
De Pulp ao pó, do pó ao diário.
L.A fragment - Crumb.
"Cada linha tem sua própria energia(...)" - Buk.
É um daqueles livros que quando tu termina a leitura, imediatamente uma nova começa e assim ad infinitum. Bandini e Camilla ainda não saem da minha cabeça. As ruas de L.A ainda permanecem vivas na minha memória, não nunca estive em L.A fisicamente, vivo muito lá ultimamente.
Eis que saio da L.A poética de Fante totalmente emocional, uma cidade viva mas ao mesmo tempo morta. E entro diretamente na nova L.A de Palahniuk, uma cidade mais de mentira um lugar cruel e sombrio. É estranho tudo isso pois a L.A de Bukowski é uma cidade mais "agitada" (óbvio, fator tempo) e já de Palahniuk uma cidade de vidro, cheia de turistas.
Ah... Sinto que conheço aquelas ruas... De Long Beach a Bunker Hill ou nos intermináveis bares do distrito!
Quantas cervejas tomamos, o uísque barato e a lascívia pelas ruas.
Mas nada disso importa e sim a cidade que respira por si própria. E como o próprio Buk diz:
"Los Asnos" é uma cidade assaz divertida, quando retratada em prosa. E na prosa desses três... comecei a ver a City com outros olhos.
Nunca imaginara que Los Angeles poderia se tornar uma cidade interessante no meu "péssimo" gosto para cidades.
Enfim...
De Pulp ao pó, do pó ao diário.
L.A fragment - Crumb.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
A opção pela "dor".

A noite parece me engolir. Tudo vai escorregando lentamente pela ponta dos meus dedos. Sofrimento é uma definição a qual nos apegamos para explicar o que não é gozo. O copo de vinho tragado pelas sombras externas, completam-se na umbra interna.
Pele pálida que enegrece ao sentir o que não (já)mais sente.
Mãos que batem alucinadamente nas teclas anseando desesperadamente por coisa alguma. A luz externa mescla-se com esse desespero, aglutinando-se em forma de loucura. Ah, loucura breve que não me tira todos os sentidos. E tem horas que gostaria de fechar meus olhos e acordar possuído por essa sensação e quem sabe, nunca mais voltar.
Houve um tempo que caminhava e acreditava que era diferente.
Mas já sabemos que essa não é a mais a verdade. Sabemos que tudo é visto de cima e nunca por dentro. Que não se lê pensamentos e que o véu sempre é descoberto mostrando-nos o que não se quer e nem se deve ver.
Como somos tolos achando que as coisas são passageiras ou eternas. Infelizmente elas coexistem em cada esquina, cada banco de café, cada tijolinho da rua. Era uma janela que jorrava esperança e agora nem janela há. É uma porta de baú onde me enclausurei pelo lado de dentro e joguei a chave fora.
"Se quisesse um pouco de sinceridade buscava os russos pré-revolução" - Charles Bukowski.
Dá pra tirar muitas metáforas dessa frase, que tem um sentido linear e óbvio. Mas sempre distorcemos o que lemos ou escutamos trazendo para uma reconfiguração de acordo com o que passamos ou vamos passar. Nesse exato momento me sinto nu. Não de corpo, mas de alma. Vejo meus sentires e minhas ânsias de uma maneira que nunca vi. Nosso maior medo é deixar transparecer as coisas, não?
Medo de ser sincero, medo de ser honesto.
É esse e outros medos que nos deixam fraco, nos torna aquém de pessoas. Meros esboços desleixados. Arturo, Arturo Bandini, cujo nome ecoou em minha cabeça agora.
Esse pó, essa dor. Essa busca pela aceitação... "O cachorrinho sorriu".
Talvez o pó saiba mais que quaisquer um de nós. Só ele foi testemunha, só ele sabe o que viu. As lágrimas que vivenciou, os sorrisos falsos. O escárnio!
Mas... o "cachorrinho sorriu",
O filho que abandonou a Mãe, largou tudo! E foi tentar em Bunker Hill a sorte.
Sorte?

A chuva caí la fora...
Ela é tão forte que me desmembra. E pela primeira vez em alguns anos sinto que nos tornamos um. O mesmo compasso...
São tantos pingos os vejo em vermelho, preto e cinza. Essas são as cores que mais vejo durante a minha vida. Algumas pessoas são vermelhas mas a grande maioria é cinza.
"(...)como odeio você, sua suja. Mas é mais limpa que eu, porque não tem nenhuma mente para vender, apenas aquela pobre carne.(...)" Pergunte ao pó - trecho.
Essa parte ainda me atormenta, penso muito sobre isso. Por que será que pessoas vendem-se por tão pouco, não só carne (que aliás é o menor dos males) mas sim o pensamento. De construir uma imagem inatingível e depois...simplesmente desmoronar-se entre si e os outros, sobretudo a si mesmo.
Pergunte ao pó, certamente ele saberá mais que eu. Pois ele sabe onde estive. E em breve me juntarei a ele.
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domingo, 11 de outubro de 2009
I am Bandini.
"(...)De manhã, acordei e decidi que devia fazer mais exercícios físicos, e comecei imediatamente. Fiz vários exercícios de flexão. Escovei os dentes, senti gosto de sangue, vi pontos rosados na escova de dente, lembrei-me da propaganda e decidi sair para tomar café.(...)"
Logo na primeira página de Pergunte ao pó(Ask the dust) - Fante, John - me deparei com este treco (um de muitos) os quais me identifiquei. Devo dizer que identificar com trechos escritos por alguém há tanto tempo só me mostra o quanto não pertenço (ou não quero pertencer) a esse tempo medíocre. " A poesia morreu, creio eu."(poema curto) -
Ler algo que arrebata e ao mesmo tempo que te empolga te sufoca, te joga para cima e para baixo. Como se ficasse seguro apenas por uma ponta de faca prestes a cair.
"(...) aí um montão de tempo se passou quando parei diante da vitrine de uma tabacaria e fiquei olhando, e o mundo inteiro se apagou exceto aquela vitrine, e fiquei ali e fumei todos os cachimbos(...)"
Estranho que esse tipo de leitura me remete a lugares e coisas que já vivi e até pouco tempo atrás julguei morta dentro de mim. É como se reacendesse uma memória , e essa mesma fosse uma pequena luzinha e de repente... voi lá, temos um farol aceso com potência para iluminar a porra do continente todo.
P.s - Descobri que tem um filme desse livro, e não irei assistir.
Logo na primeira página de Pergunte ao pó(Ask the dust) - Fante, John - me deparei com este treco (um de muitos) os quais me identifiquei. Devo dizer que identificar com trechos escritos por alguém há tanto tempo só me mostra o quanto não pertenço (ou não quero pertencer) a esse tempo medíocre. " A poesia morreu, creio eu."(poema curto) -
Ler algo que arrebata e ao mesmo tempo que te empolga te sufoca, te joga para cima e para baixo. Como se ficasse seguro apenas por uma ponta de faca prestes a cair.
"(...) aí um montão de tempo se passou quando parei diante da vitrine de uma tabacaria e fiquei olhando, e o mundo inteiro se apagou exceto aquela vitrine, e fiquei ali e fumei todos os cachimbos(...)"
Estranho que esse tipo de leitura me remete a lugares e coisas que já vivi e até pouco tempo atrás julguei morta dentro de mim. É como se reacendesse uma memória , e essa mesma fosse uma pequena luzinha e de repente... voi lá, temos um farol aceso com potência para iluminar a porra do continente todo.
P.s - Descobri que tem um filme desse livro, e não irei assistir.
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sábado, 10 de outubro de 2009
Human Error
J.B Greuze - Espelho quebrado (um dos meus favoritos dele)A máxima das máximas do lugar comum:
"Errar é humano."
Pois bem, o cara que proferiu essa frase pela primeira vez era muito esperto. Acredito eu que ele a usou para desculpar-se de algum erro que fez afinal...todos erramos, certo?
Continuando, se todos erramos partimos para a questão:
Por que erramos?
Não acho que exista tal resposta, até porque talvez eu seja humano também ou também erre. Mas só o desfecho conta? Então, colocamos fora um livro fora porque o final não nos agradou?
Tantas metáforas para explicar o que não tem explicação.
Ultimamente tenho visto coisas que não quero ver:
Pessoas, lugares, situações, sentimentos e blabla. De certa forma a maioria dos problemas vem de um lugar externo pois dialogam intrinsecamente com o interno. Um erro parece o motor para vários, e uma desculpa uma permissão para tantos outros.
Todavia, seria julgar um livro pela capa ou um sabor pela aparência. É nessas horas que penso que deveria ponderar mais, ou simplesmente não dar a mínima.
No fundo é mais satisfeito aquela pessoa que é enganada e sabe que está sendo enganada do que aquele que engana os outros e a sí mesmo.
Veja bem, não é demérito nenhum ser enganado. Pelo contrário, uma das poucas coisas que mantém alguém humano não é errar, mas sim confiar.
E em erros e acertos o que resta?
Absolutamente nada!
No auge dos meus vinte e nove anos, a única coisa que vi entre os tais humanos:
-Mentiras, hipocrisias, enganações etecetera.
Não posso me excluir dessa situação, não posso negar que já bebi desse vinho. O que vale para os outros vale para mim também.
Os dias e horas passam como navalhas sob minha carne e o tempo so dilacera o que há por dentro, acho que quanto mais tempo passa mais os ossos, carne e músculos sofrem uma mutação provocada pelo olho da medusa social nos enrijecendo mais e mais.
Em alguns momentos a dura casca parece quebrar, mas quando a "chuva" está para chegar sempre existe algo que a bloqueia então o externo embebe-se na claridade escura e o interno "diluveia-se" por completo.
Sobra aquela parte... a parte mais escura. E quando fala-se dela, entoam canções citam nomes que ela não pertence. Atribuem nomenclaturas e a forram de maniqueísmo. Quando na verdade é só o "lado escuro da lua".
Vejo minha vida em um espelho e ele está quebrado.
"Errar é humano."
Pois bem, o cara que proferiu essa frase pela primeira vez era muito esperto. Acredito eu que ele a usou para desculpar-se de algum erro que fez afinal...todos erramos, certo?
Continuando, se todos erramos partimos para a questão:
Por que erramos?
Não acho que exista tal resposta, até porque talvez eu seja humano também ou também erre. Mas só o desfecho conta? Então, colocamos fora um livro fora porque o final não nos agradou?
Tantas metáforas para explicar o que não tem explicação.
Ultimamente tenho visto coisas que não quero ver:
Pessoas, lugares, situações, sentimentos e blabla. De certa forma a maioria dos problemas vem de um lugar externo pois dialogam intrinsecamente com o interno. Um erro parece o motor para vários, e uma desculpa uma permissão para tantos outros.
Todavia, seria julgar um livro pela capa ou um sabor pela aparência. É nessas horas que penso que deveria ponderar mais, ou simplesmente não dar a mínima.
No fundo é mais satisfeito aquela pessoa que é enganada e sabe que está sendo enganada do que aquele que engana os outros e a sí mesmo.
Veja bem, não é demérito nenhum ser enganado. Pelo contrário, uma das poucas coisas que mantém alguém humano não é errar, mas sim confiar.
E em erros e acertos o que resta?
Absolutamente nada!
No auge dos meus vinte e nove anos, a única coisa que vi entre os tais humanos:
-Mentiras, hipocrisias, enganações etecetera.
Não posso me excluir dessa situação, não posso negar que já bebi desse vinho. O que vale para os outros vale para mim também.
Os dias e horas passam como navalhas sob minha carne e o tempo so dilacera o que há por dentro, acho que quanto mais tempo passa mais os ossos, carne e músculos sofrem uma mutação provocada pelo olho da medusa social nos enrijecendo mais e mais.
Em alguns momentos a dura casca parece quebrar, mas quando a "chuva" está para chegar sempre existe algo que a bloqueia então o externo embebe-se na claridade escura e o interno "diluveia-se" por completo.
Sobra aquela parte... a parte mais escura. E quando fala-se dela, entoam canções citam nomes que ela não pertence. Atribuem nomenclaturas e a forram de maniqueísmo. Quando na verdade é só o "lado escuro da lua".
Vejo minha vida em um espelho e ele está quebrado.
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Chuva Vermelha
Tem coisas que deveriam ficar fechadas. Portas que nunca deveriam ser abertas, e assim é o que somos.
Portas. Janelas. Buracos.
É aquela hora que se observa o que não existe, mas de certa forma existe, formando nuvens negras à tua volta. E as nuvens relampeiam, chovem e gritam estrondosamente. A tempestade formada no vácuo.
No olho do furacão formam-se rostos, corpos e pesadelos que não deveriam estar naquele lugar, mas estão. Te encaram com olhos vermelhos e o máximo que consegue sentir é um esboço de uma emoção. E aquela água toda, aquele vento te encobrem por completo.
Ah, caímos tão lentamente mas sentimos o impacto multiplicado por mil. A velocidade é uma inconstância da alma. Em dias que tempo parace apenas uma musiquinha em uma caixa de som antiquíssima feita de cedro.
A música é só um adendo quase que imperceptível, já que os trovões alardeam o nada. Viver parece isso, uma chuva. E não chove para sempre...
Portas. Janelas. Buracos.
É aquela hora que se observa o que não existe, mas de certa forma existe, formando nuvens negras à tua volta. E as nuvens relampeiam, chovem e gritam estrondosamente. A tempestade formada no vácuo.
No olho do furacão formam-se rostos, corpos e pesadelos que não deveriam estar naquele lugar, mas estão. Te encaram com olhos vermelhos e o máximo que consegue sentir é um esboço de uma emoção. E aquela água toda, aquele vento te encobrem por completo.
Ah, caímos tão lentamente mas sentimos o impacto multiplicado por mil. A velocidade é uma inconstância da alma. Em dias que tempo parace apenas uma musiquinha em uma caixa de som antiquíssima feita de cedro.
A música é só um adendo quase que imperceptível, já que os trovões alardeam o nada. Viver parece isso, uma chuva. E não chove para sempre...
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domingo, 27 de setembro de 2009
It's a sin.

Condenados! Nascemos e nos condicionamos a resignação enquanto seres humanos/sociais. Será que é fácil condenar mais os outros do que a sí próprio? Pois há quem se preocupe com estas convenções. Algumas coisas são ampliphicadas para que no geral criem-se mais categorias excludentes, quando na verdade há três coisas: Confiança, Lealdade e Prazer. E nesses três quesitos se expandem em uma gama de coisas inúteis. E geralmente as pessoas te olham com uma cara quando fazemos algo que é só nosso, e que apenas nós obtemos prazer não é?
Father, forgive me, I tried not to do it
Turned over a new leaf, then tore right through it
Whatever you taught me, I didn't believe it
Father, you fought me, 'cause I didn't care
And I still don't understand
So I look back upon my life
Forever with a sense of shame
I've always been the one to blame
For everything I long to do
No matter when or where or who
Has one thing in common, too
It's a, it's a, it's a, it's a sin
It's a sin
Everything I've ever done
Everything I ever do
Every place I've ever been
Everywhere I'm going to - it's a sin
Trecho: It's a sin - Petshop boys
As coisas que fazemos, são em muitas "erradas" para que os outros condenem, julguem e na na maioria das vezes sintam vontade de fazer e não o fazem a não ser no plano das idéias (que é a mesma coisa, como diz Goethe: "Não há diferença em crimes cometidos pela mente")
Será tão errado andar do jeito que se quer e quando se quer? E das coisas que gostamos todos condenam mas fazem escondidos e se julgamento interno? Ou o julgamento externo é mais importante?
"(...)Que se enganem os outros com nossa aparência mais serena. Aquilo que sabe o coração falso, a cara falsa deve esconder." - Macbeth Ato I cena VII.
E vamos todos dançar a dança do condenar sem olhar para o umbigo? Andaremos descalço fingindo caminhar sobre carvão quando o chão é de algodão?
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Quinta-Feira
Foi numa quinta pela noite. Eu estava parado na frente de uma loja de departamento. Sabe quando nada da certo? O dia tinha sido uma porcaria, fui demitido e minha ex-mulher fugiu com outra mulher. Naquela hora meus pensamentos voavam em diversos lugares, pensava no quão era engraçada a situação. Seria uma noite comum de quinta-feira se não fosse pelo seguinte detalhe, não era quinta-feira. Eu acreditava que era, mas definitivamente não era. No bolso esquerdo haviam cigarros de canela e no direito convencionais. Cigarros de canela eram bons para ficar observando enquanto bebia algo amargo. Já os convencionais para quando tomava café ou algo doce. O movimento nas ruas era parco para uma não-quinta-feira quinta-feira. E eu não sabia que diabos fazia ali aquela hora. Foi quando conheci Clarice. Era uma daquelas moças que não se sabe da onde que saiu, mas quando tu conheces pensa "Por quê não apareceu antes!". Ela tinha as bochecas fofas e olhos vívidos. O perfume parecia uma mistura entre coisas que nem sei o que são. Clarice, não sei o que era e nem sei da onde saiu.
Eramos os únicos dois ali parados em frente a uma estúpida loja de departamentos. Ela parecia nervosa. Eu estava calmo. Existe um momento em que as pessoas idioticamente tentam interagir de todas as formas, mas sempre a maneira estúpida é a que leva ao diálogo. Percebi isso quando uma das minhas carteiras de cigarro caiu. "Nossa, tu fumas cigarro de mulherzinha" foram as palavras dela. Respondi educadamente "É, comprei-os sabendo da tua existência", ela sorriu. Universalmente quando alguém sorri para ti é o início do dialogo. Ela pegou um dos cigarros e colocou-o em sua boca. Reparava em todos detalhes: mãos, boca... tudo. Conversamos sobre tudo o que não se fala em dez minutos, e não chegamos a nenhuma conclusão além do óbvio...Não era quinta-feira.
Havia algo deveras estranho naquilo. Como pode alguém chamado Clarice existir em uma não-quinta-feira? É o que me pergunto até hoje. Perguntei a ela que horas eram, ela sorriu e olhou para o céu. Seu sorriso era triste. Antes de ir, perguntou o que eu fazia, eu lhe disse "Nada, só estou aqui tentando descobrir que dia é hoje.". E ela se foi... Às vezes me pergunto aonde ela anda de noite e todos os dias são segunda-feira. Inclusive quintas...
Eramos os únicos dois ali parados em frente a uma estúpida loja de departamentos. Ela parecia nervosa. Eu estava calmo. Existe um momento em que as pessoas idioticamente tentam interagir de todas as formas, mas sempre a maneira estúpida é a que leva ao diálogo. Percebi isso quando uma das minhas carteiras de cigarro caiu. "Nossa, tu fumas cigarro de mulherzinha" foram as palavras dela. Respondi educadamente "É, comprei-os sabendo da tua existência", ela sorriu. Universalmente quando alguém sorri para ti é o início do dialogo. Ela pegou um dos cigarros e colocou-o em sua boca. Reparava em todos detalhes: mãos, boca... tudo. Conversamos sobre tudo o que não se fala em dez minutos, e não chegamos a nenhuma conclusão além do óbvio...Não era quinta-feira.
Havia algo deveras estranho naquilo. Como pode alguém chamado Clarice existir em uma não-quinta-feira? É o que me pergunto até hoje. Perguntei a ela que horas eram, ela sorriu e olhou para o céu. Seu sorriso era triste. Antes de ir, perguntou o que eu fazia, eu lhe disse "Nada, só estou aqui tentando descobrir que dia é hoje.". E ela se foi... Às vezes me pergunto aonde ela anda de noite e todos os dias são segunda-feira. Inclusive quintas...
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
O veterano
I.
Eu era criança, caminhava para lá e para cá com minha cabeça grande e gorda. Era mais um dia. Fica ali balançado minhas coxas grossas, sentado ao chão enquanto esperava minha mãe. E por lá fiquei por mais de seis dias, ela nunca voltou. A fome começou a corroer minha barriga que de enorme começa a dar sinais de emagrecimento e minha cabeça ia crescendo mais e mais. Pensava todos dias nela aonde ela fora, o que diabos eu tinha feito.Será que eu era uma criança insuportável? Eu era um guri quieto sabe? Daqueles que ficavam ali catatônicos com um livro na mão. Nunca respondi a ela, sequer repetia os plavavrôes que ela bradava a vizinhança ouvir. Aquela senhora gorda com o rosto avermelhado e cabelos loiros, gritava.Era a minha mãe. Ainda é levando em consideração que mesmo morta ela que me gerou. A noite está quente, fico nostálgico. Onde ela foi aquele dia? Onde eu fui também pois tenho certeza de que não sou mais aquele menino gordo e cabeçudo. Acendo um cigarro tentando esquecer, e de lá até aqui nada mudou com exceção das minhas rugas, minha palidez e minha atual magreza. Toca Bach, pego uma garrafa de vinho.
II.
A manhã resplandece no meu quarto com o peso de bombas nucleares, seria Hiroshima meu quarto? A janela ficou aberta e a luz desenha um vulto feminino nas minhas no meu lençol todo furado. O primeiro impulso que tenho é acender um cigarro, mas é impossível fazer isso devido a dificuldade que tenho para me locomover. Não consigo pensar em algo diferente de mulheres dançando nuas, bebida e um punhado de verdinhas no meu bolso. Há quem diga que só sentimos falta do que não temos. E é exatamente isso que me falta. Não para me fazer feliz, mas para tapar estes buraquinhos dentro do meu peito.
Meu corpo moribundo já sente o peso da idade, lembro que já não sou mais criança e minha mãe assim como a maioria das mulheres que tive me abandonaram. Logo, precisava de uma saída útil hoje a noite. Primeiro preciso sair da cama.
III.
Algumas horas se passaram desde que consegui sentar na cama, agora sentando fica mais fácil acender um cigarro e pensar na vida. Já não trabalho há 10 anos o pouco de comida e dinheiro que tenho consigo através de uns amigos que tenho, aqueles que consegui quando estive na guerra. Essa é a merda de país que vivo, não reconhece seus maiores heróis. Ficam com aquele discursinho de que o povo isso, o povo aquilo. Mas herói não é o merda que esteve no front e morreu. Herói e aquele que carregou os cadáveres daqueles inúteis para que suas famílias pudessem chorar. E esses mesmos desprezam aqueles que carregaram os presuntos. "Ele poderia estar vivo se tu não fosse preguiçoso." É sou mesmo e daí? Por isso não levanto minha bunda da cama. E fico aqui pensando em merdas quase que todo o tempo. E de fato é bem melhor que viver neste mundinho hipócrita corporativista. Quem vou enganar, não dou a mínima eles que se fodam, assim como minha mãe e estas vagabundas. O tempo anda devagar.
IV.
Com o rair da lua esboço uma tentativa de sair da minha humilde casinha e me dirigir até o bar ou puteiro mais próximo. Tanto faz, a diferença entre sexo e bebida? E que no sexo temos que aguentar outra pessoa para poder desfrutar de algum prazer, já a bebida, só um basta. E mesmo assim, nem sempre é suficiente. Hoje faço sessenta e seis anos. Grande merda. Herói de guerra, filho abandonado, fracassado bêbado! O que a vida reserva para velhos que nem eu? Nem uma morte digna posso ter. Estranho que quando vou para a janela a moça do apartamente da frente vive se insinuando. Ela só pode ser pinel, não por eu ser velho. Mas pelo fato de que pareço um cadáver ambulante, orelhas enormes e nenhum dente na boca. Aposto que ela acha que vai me seduzir e quando eu chegar perto ela vai dizer não e assim enaltecendo o poder de conquista dela. Ah, elas poucos sabem que eu não caio nessas. Sou Eric Jurgens, veterano de guerra e problema social. Aquela moça não irá prevalecer.
Pego minha garrafa de Vodka.
V.
Sento na calçada para ver o que meu aniversário reserva. A vodka cai na minha boca, escorre até meu estomâgo sem nenhuma ardência. Vodkas baratas são as melhores. Elas tem um perfume de ânis e gosto de álcool barato. Melhor que perfume barato. Melhor que putas baratas. Ela está se aproximando. Uma mocinha uns vinte e poucos anos. O cabelo escuro dela se misturava com a noite. Ela exalava devassidão. Eu exalava a bebida barata e cigarros de palha. De qualquer forma ela vem sorrindo.
VI.
_Oi - Diz ela.
Não consigo reagir. Poderia dizer qualquer coisa. Mas nenhuma palavra veio à cabeça. Prefiro seguir bebendo.
_O senhor é mudo? - Disse sorrindo.
_Não.
_Ah, posso beber contigo? - Ela dá gargalhadas, nunca tinha visto dentes tão brancos.
_Não... Ah, quer dizer... Pode.
_Tá, vou te propor algo...
_Mal posso esperar...
_Posso ver sua casa.
_Não!
_Ah, deixa...Eu mostro meus peitos pro senhor.
_Certo. Mas tem que deixar eu tocar.
_Ah, tudo bem - Respondia a mocinha.
_____
VII.
Eles entraram...
Ela foi entrando, e ao passo que caminhava as peças de roupa caíam ao chão. Ele vislumbrava o corpo jovial da menina-mulher. Sua vida passava pelos olhos. Seis dias de espera, sessenta e seis anos. Os olhos cansado tornaram-se vermelho-fúria. A janela aberta... E os gritos.
No outro dia o jornal estampava a manchete:
Veterano de guerra assassina jovem a pauladas.
Eu era criança, caminhava para lá e para cá com minha cabeça grande e gorda. Era mais um dia. Fica ali balançado minhas coxas grossas, sentado ao chão enquanto esperava minha mãe. E por lá fiquei por mais de seis dias, ela nunca voltou. A fome começou a corroer minha barriga que de enorme começa a dar sinais de emagrecimento e minha cabeça ia crescendo mais e mais. Pensava todos dias nela aonde ela fora, o que diabos eu tinha feito.Será que eu era uma criança insuportável? Eu era um guri quieto sabe? Daqueles que ficavam ali catatônicos com um livro na mão. Nunca respondi a ela, sequer repetia os plavavrôes que ela bradava a vizinhança ouvir. Aquela senhora gorda com o rosto avermelhado e cabelos loiros, gritava.Era a minha mãe. Ainda é levando em consideração que mesmo morta ela que me gerou. A noite está quente, fico nostálgico. Onde ela foi aquele dia? Onde eu fui também pois tenho certeza de que não sou mais aquele menino gordo e cabeçudo. Acendo um cigarro tentando esquecer, e de lá até aqui nada mudou com exceção das minhas rugas, minha palidez e minha atual magreza. Toca Bach, pego uma garrafa de vinho.
II.
A manhã resplandece no meu quarto com o peso de bombas nucleares, seria Hiroshima meu quarto? A janela ficou aberta e a luz desenha um vulto feminino nas minhas no meu lençol todo furado. O primeiro impulso que tenho é acender um cigarro, mas é impossível fazer isso devido a dificuldade que tenho para me locomover. Não consigo pensar em algo diferente de mulheres dançando nuas, bebida e um punhado de verdinhas no meu bolso. Há quem diga que só sentimos falta do que não temos. E é exatamente isso que me falta. Não para me fazer feliz, mas para tapar estes buraquinhos dentro do meu peito.
Meu corpo moribundo já sente o peso da idade, lembro que já não sou mais criança e minha mãe assim como a maioria das mulheres que tive me abandonaram. Logo, precisava de uma saída útil hoje a noite. Primeiro preciso sair da cama.
III.
Algumas horas se passaram desde que consegui sentar na cama, agora sentando fica mais fácil acender um cigarro e pensar na vida. Já não trabalho há 10 anos o pouco de comida e dinheiro que tenho consigo através de uns amigos que tenho, aqueles que consegui quando estive na guerra. Essa é a merda de país que vivo, não reconhece seus maiores heróis. Ficam com aquele discursinho de que o povo isso, o povo aquilo. Mas herói não é o merda que esteve no front e morreu. Herói e aquele que carregou os cadáveres daqueles inúteis para que suas famílias pudessem chorar. E esses mesmos desprezam aqueles que carregaram os presuntos. "Ele poderia estar vivo se tu não fosse preguiçoso." É sou mesmo e daí? Por isso não levanto minha bunda da cama. E fico aqui pensando em merdas quase que todo o tempo. E de fato é bem melhor que viver neste mundinho hipócrita corporativista. Quem vou enganar, não dou a mínima eles que se fodam, assim como minha mãe e estas vagabundas. O tempo anda devagar.
IV.
Com o rair da lua esboço uma tentativa de sair da minha humilde casinha e me dirigir até o bar ou puteiro mais próximo. Tanto faz, a diferença entre sexo e bebida? E que no sexo temos que aguentar outra pessoa para poder desfrutar de algum prazer, já a bebida, só um basta. E mesmo assim, nem sempre é suficiente. Hoje faço sessenta e seis anos. Grande merda. Herói de guerra, filho abandonado, fracassado bêbado! O que a vida reserva para velhos que nem eu? Nem uma morte digna posso ter. Estranho que quando vou para a janela a moça do apartamente da frente vive se insinuando. Ela só pode ser pinel, não por eu ser velho. Mas pelo fato de que pareço um cadáver ambulante, orelhas enormes e nenhum dente na boca. Aposto que ela acha que vai me seduzir e quando eu chegar perto ela vai dizer não e assim enaltecendo o poder de conquista dela. Ah, elas poucos sabem que eu não caio nessas. Sou Eric Jurgens, veterano de guerra e problema social. Aquela moça não irá prevalecer.
Pego minha garrafa de Vodka.
V.
Sento na calçada para ver o que meu aniversário reserva. A vodka cai na minha boca, escorre até meu estomâgo sem nenhuma ardência. Vodkas baratas são as melhores. Elas tem um perfume de ânis e gosto de álcool barato. Melhor que perfume barato. Melhor que putas baratas. Ela está se aproximando. Uma mocinha uns vinte e poucos anos. O cabelo escuro dela se misturava com a noite. Ela exalava devassidão. Eu exalava a bebida barata e cigarros de palha. De qualquer forma ela vem sorrindo.
VI.
_Oi - Diz ela.
Não consigo reagir. Poderia dizer qualquer coisa. Mas nenhuma palavra veio à cabeça. Prefiro seguir bebendo.
_O senhor é mudo? - Disse sorrindo.
_Não.
_Ah, posso beber contigo? - Ela dá gargalhadas, nunca tinha visto dentes tão brancos.
_Não... Ah, quer dizer... Pode.
_Tá, vou te propor algo...
_Mal posso esperar...
_Posso ver sua casa.
_Não!
_Ah, deixa...Eu mostro meus peitos pro senhor.
_Certo. Mas tem que deixar eu tocar.
_Ah, tudo bem - Respondia a mocinha.
_____
VII.
Eles entraram...
Ela foi entrando, e ao passo que caminhava as peças de roupa caíam ao chão. Ele vislumbrava o corpo jovial da menina-mulher. Sua vida passava pelos olhos. Seis dias de espera, sessenta e seis anos. Os olhos cansado tornaram-se vermelho-fúria. A janela aberta... E os gritos.
No outro dia o jornal estampava a manchete:
Veterano de guerra assassina jovem a pauladas.
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Exercicío narrativo
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Nos confins da morte.
Do diario de Jurgen Chapelle.
12/09/54 -
O sol desaparecia lentamente ao horizonte. O crepusculo que formou-se era de um vermelho acinzentado. Entre a relva de prédios e carros barulhentos e milhares de pessoas caiu lentamente a escuridão. Os tempos eram estranhos, sentia-se a discrepância. Outrora a cidade era um lugar menos agitado. As torres que vigiavam o público funcionavam em plena forma. Agora só restavam as carcaças e um fraco farol amarelado. Há um tempo atrás eram cinco guardas. Nestes dias ficavam apenas um. Havia um rapaz ali, era novo.
Seus olhos grandes e arrendodados espiavam terror. Eram brilhantes e ao mesmo tempo tão escuros. A pele clara era tomada por uma pigmentação vermelho-cobre devido à exposição a nosso clima tão árido e poluído. Vestia um casaco preto de couro, tinham muitos bolsos e aparentemente os usava para guardar múltiplas coisas. A sua pequenina mão segurava um dispositivo de localização, servia para comunicar os outros vigias e ao mesmo tempo informar sua localização. Eram tempos dificeis. Faltavam três anos para a minha aposentadoria. E sabemos que quando chegamos ao final da vida, tudo parece perder o sentido. Era sexta-feira. Aquela noite especificamente era cinco de março. Aparentemente seria mais um dia na minha vida, e muito menos ainda na vida daquele rapaz. Quantas vezes ja me peguei pensando "Nada vai acontecer". Mas quando pensamos isso é talvez porque queiramos que algo aconteça ardentemente e nossos olhos ficam cobertos pela névoa de tédio. Assim nossa mente freia qualquer impulsivo, e seria isso que nos transformaria em meros rôbos. Ou em mortos-vivos. Meu turno era o da noite. Aquele jovem se chamava Tanathos. Irônia dos pais talvez. Se soubessem o que o destino reservava para ele talvez colocariam outro nome. Perseu, Dionisio, ou qualquer outro nome. Mas acabaram por decretar a maior irônia que já vi em toda minha vida. O menino que se transformou em homem. Virou homem e depois morte. Eu observava muito, este foi o primeiro dia que conheci o que hoje posso chamar morte.
O relógio marcava dez e vinte nove, eu recém chegava para a troca de turno. Os anos mostraram que para ter um emprego contínuo bastava ser pontual, sorrir volta e meia. E principalmente fazer meu trabalho sozinho.
Subi pelas escadas que me levavam ao alto do farol. Todos os dias contava quantos degraus pisava. E obviamente aquele dia não fora diferente:
-450.
Por que diabos não tinha um elevador? Se o ser humano é capaz de construir tantas coisas, nossa tecnologia desperdiçava-se em coisas tão banais como teleporte, transmissão de dados super-rápidas e outras porcarias que não tinham tanta utilidade para a maioria das pessoas que não podiam pagar por elas.
Seria tão dificil assim ter um elevador?
Quando terminei de bater o ponto, eu o vi pela primeira vez. Seu rosto era senil no auge dos dezoito anos, a juventude mesclava-se com a velhicie tornando-o um ser no minimo digno de minha curiosidade.
Não o cumprimentei, e nem ele. Passamos um pelo outro como se fossemos dois fantasmas, ou dois operários que erámos em uma fábrica de produção em massa, rôbos. Ou mortos-vivos se preferir assim.
Alguns minutos depois disso ele voltou. Havia esquecido de bater o ponto, e como nenhuma hora-extra era paga, não fazia sentido prolongar o ponto.
-Senhor, onde é a máquina ponto? - Sua voz era baixinha e grave. Eu mal escutei.
Apenas apontei, e ele bateu o tal ponto.
Saiu da mesma forma que entrou. Silencioso.
Fiquei aquela noite imaginando o quê um jovem fazia trabalhando para a W.R vigilância.
Eu me perguntava porque eu fazia isso também, por longos anos fazia todo dia essa pergunta.
Toda noite eu ia para o farol, sentava ou lia algum livro. Livros de verdade, não o que estes jovens de hoje fazem com seus malditos computadores de pulso wireless. Lendo livros como se estivessem vendo as horas. Eu sempre preferi os de papel. Mais raros e caros, porém bem mais prazerosos. Acendia volta e meia um cigarro, era tão díficil encontra-los naquela época. A propaganda anti-tabagismo pareceu ter feito efeito no começo do século, mas não durou mais que vinte anos. Por vinte longos anos, o que se traficava na rua? Tabaco. Juro que se eu soubesse disso quando fosse jovem ia achar a piada mais hipócrita de todos tempos.
Nada de especial ocorreu aquela noite. A mesma merda se sempre:
Turno, vigilia, leitura, cigarro, ponto, casa, dormir.
Pelo menos não comigo. O dia acabou para mim. Fui para a casa aquele dia. Foi apenas o primeiro.
12/09/54 -
O sol desaparecia lentamente ao horizonte. O crepusculo que formou-se era de um vermelho acinzentado. Entre a relva de prédios e carros barulhentos e milhares de pessoas caiu lentamente a escuridão. Os tempos eram estranhos, sentia-se a discrepância. Outrora a cidade era um lugar menos agitado. As torres que vigiavam o público funcionavam em plena forma. Agora só restavam as carcaças e um fraco farol amarelado. Há um tempo atrás eram cinco guardas. Nestes dias ficavam apenas um. Havia um rapaz ali, era novo.
Seus olhos grandes e arrendodados espiavam terror. Eram brilhantes e ao mesmo tempo tão escuros. A pele clara era tomada por uma pigmentação vermelho-cobre devido à exposição a nosso clima tão árido e poluído. Vestia um casaco preto de couro, tinham muitos bolsos e aparentemente os usava para guardar múltiplas coisas. A sua pequenina mão segurava um dispositivo de localização, servia para comunicar os outros vigias e ao mesmo tempo informar sua localização. Eram tempos dificeis. Faltavam três anos para a minha aposentadoria. E sabemos que quando chegamos ao final da vida, tudo parece perder o sentido. Era sexta-feira. Aquela noite especificamente era cinco de março. Aparentemente seria mais um dia na minha vida, e muito menos ainda na vida daquele rapaz. Quantas vezes ja me peguei pensando "Nada vai acontecer". Mas quando pensamos isso é talvez porque queiramos que algo aconteça ardentemente e nossos olhos ficam cobertos pela névoa de tédio. Assim nossa mente freia qualquer impulsivo, e seria isso que nos transformaria em meros rôbos. Ou em mortos-vivos. Meu turno era o da noite. Aquele jovem se chamava Tanathos. Irônia dos pais talvez. Se soubessem o que o destino reservava para ele talvez colocariam outro nome. Perseu, Dionisio, ou qualquer outro nome. Mas acabaram por decretar a maior irônia que já vi em toda minha vida. O menino que se transformou em homem. Virou homem e depois morte. Eu observava muito, este foi o primeiro dia que conheci o que hoje posso chamar morte.
O relógio marcava dez e vinte nove, eu recém chegava para a troca de turno. Os anos mostraram que para ter um emprego contínuo bastava ser pontual, sorrir volta e meia. E principalmente fazer meu trabalho sozinho.
Subi pelas escadas que me levavam ao alto do farol. Todos os dias contava quantos degraus pisava. E obviamente aquele dia não fora diferente:
-450.
Por que diabos não tinha um elevador? Se o ser humano é capaz de construir tantas coisas, nossa tecnologia desperdiçava-se em coisas tão banais como teleporte, transmissão de dados super-rápidas e outras porcarias que não tinham tanta utilidade para a maioria das pessoas que não podiam pagar por elas.
Seria tão dificil assim ter um elevador?
Quando terminei de bater o ponto, eu o vi pela primeira vez. Seu rosto era senil no auge dos dezoito anos, a juventude mesclava-se com a velhicie tornando-o um ser no minimo digno de minha curiosidade.
Não o cumprimentei, e nem ele. Passamos um pelo outro como se fossemos dois fantasmas, ou dois operários que erámos em uma fábrica de produção em massa, rôbos. Ou mortos-vivos se preferir assim.
Alguns minutos depois disso ele voltou. Havia esquecido de bater o ponto, e como nenhuma hora-extra era paga, não fazia sentido prolongar o ponto.
-Senhor, onde é a máquina ponto? - Sua voz era baixinha e grave. Eu mal escutei.
Apenas apontei, e ele bateu o tal ponto.
Saiu da mesma forma que entrou. Silencioso.
Fiquei aquela noite imaginando o quê um jovem fazia trabalhando para a W.R vigilância.
Eu me perguntava porque eu fazia isso também, por longos anos fazia todo dia essa pergunta.
Toda noite eu ia para o farol, sentava ou lia algum livro. Livros de verdade, não o que estes jovens de hoje fazem com seus malditos computadores de pulso wireless. Lendo livros como se estivessem vendo as horas. Eu sempre preferi os de papel. Mais raros e caros, porém bem mais prazerosos. Acendia volta e meia um cigarro, era tão díficil encontra-los naquela época. A propaganda anti-tabagismo pareceu ter feito efeito no começo do século, mas não durou mais que vinte anos. Por vinte longos anos, o que se traficava na rua? Tabaco. Juro que se eu soubesse disso quando fosse jovem ia achar a piada mais hipócrita de todos tempos.
Nada de especial ocorreu aquela noite. A mesma merda se sempre:
Turno, vigilia, leitura, cigarro, ponto, casa, dormir.
Pelo menos não comigo. O dia acabou para mim. Fui para a casa aquele dia. Foi apenas o primeiro.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
O outro lado da ponte escura.
"Meu rosto distorcido soa tão comum para mim" Era assim que se enxergava, diferente de tudo. Sua vida não havia sido das melhores, aquilo de se entregar e acreditar para ele era uma constante negativa. Mas afinal para quem não é. As horas passavam como trens, cheios de gentes e na volta estavam sempre vazios assim como seu coração. Talvez seja porque ele acreditasse que um dia o trem voltaria cheio, ou o reflexo da água mudasse de alguma maneira. Ele só sabia que nada sabia.
Seria mais um dia banal, ali sentado. Olhando para o nada, sentindo o nada.
Quem sabe o que ele precisasse fosse algo além daquela água, ou daqueles trens?
Recolhera as pedrinhas que tanto ocupavam sua mente, levantou-se e foi caminhar. Fazia um frio não muito congelante, a bruma era espessa. Parecia um grande algodão doce cinza. Caminhou devagar, os olhos perdiam-se. A cabeça ainda estava na água distorcida.
Ele queria fugir dali. Sonhava e aspirava com o diferente, estava distraído e não viu que caminhava sobre os trilhos do trem.
A luz pairou. Ele pensou "Pronto agora morri."
Acordara em um hospital, estava aleijado e realmente distorcido. Nada mudou e ele não morrera.
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