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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A parte que morre em silêncio.

Como posso seguir?
Como seguir em silêncio?
Acordar no meio da noite iluminada.
Sem sequer ter dormido.
Pode acreditar, morro.
Pode negar, mas eu morro.
Morro em silêncio.
Faleço ao não falar.
Padeço ao não tentar.
Desacordo ao acreditar.
Sofrer por sofrer.
Acordar por acordar.
Um momento falante.
Mero discuido.
E a noite...
A mais quieta, perde o decoro.
E observa sozinha.
A parte que morre em silêncio.

Vida e Morte.

Entre a vida e a morte há um intenso hiato de acontecimentos, às vezes não. A vida em si é o motor e chave para a morte, que por sua vez não vive sem a vida.
Confuso?
Não creio que a teoria seja tão confusa quanto o processo empiríco, nesse caso tão... comum.
Ultimamente tenho convivido bastante com a caveira da foice, algumas perdas signitivas, outras nem tanto. E na maioria das vezes nenhuma. Contudo, eu acredito que a morte na maioria dos casos seja uma ponte para algo melhor. Na pior das hipóteses um alívio para tanta dor, e que muitas vezes torna-se mais díficil de suportar que qualquer outra mazela significativa à um indivíduo.
Não consigo ficar triste com a morte de outrém, especialmente quando nesses casos a pessoa finalmente dormiu em paz pela primeira vez em sua vida. Existem tragédias, todos os dias alguém tem sua vida ceifada no auge de sua jovialidade, podendo implementar alguma mudançao neste mundo cão. Mas existem aqueles que já moribundos apenas aguardavam sofrendo sua vaga na barca. Existem coisas na vida que podem ser repetidas, Morte e vida só acontecem uma vez.
Você nasce e morre.
Mas poucos, pouquíssimos, morrem para renascer.  

domingo, 22 de novembro de 2009

Dead Letter

Carlos,


Eu sei que você nunca me escuta, sei que nunca lê minhas cartas. Essa é uma ultima tentativa, e na verdade não é nenhuma tentativa. Aqui eu fico, nervosa como sempre e extremamente irritada com esta sua conduta nojenta. Ah, você nunca liga, nunca se importa, nunca nada. Sentei agora a pouco nesta cadeira, sei que estava por aqui não faz muito tempo, e acendo um cigarro atrás do outro e como sempre você dizia "fumar mata". Devo dizer que você tem razão, mata! Mata o tempo que passava sentada aqui esperando quem nem sequer saiu e por muitas vezes jamais voltou. Mata, pois seu sangue é sujo, tem um gosto ralo e nenhum cigarro compara-se a esta vida que tenho. Essa miséria a qual devo agradece-lo por ter me proporcionado. Alguns longos anos colocados no fundo de uma lata velha e enferrujada de lixo! E em breve você fara companhia, aos meus cigarros fumados até o filtro, as minhas unhas que não paro de roer e até o papel que outrora escrevia cartas para você. Acabarão todos juntos. Bem enfiados em uma lata velha, carregadas por um lixeiro com a pele suada de tanto juntar sacos que nem sequer podem ser comparados à sua pessoa, pois são bem melhores e servem para algo.
Carlos, essa carta não é tão para você. Ela é para mim. Ela é para quem quiser ler. Estou muito cansada dessa exposição, de ser a "garotinha do papai" como me falava. É, algumas mudanças sutis não podemos reparar, mas as grandes mudanças até uma sombra pode perceber e a minha já tinha me alertado para isso. Há tanto indizível, não é? Aquelas noites que jamais voltarão, aqueles momentos que permacem estagnados em uma banheira cheia de água e gelo. Toda vez que me banho, lembro destes mero detalhes que sempre lhe passaram desapercebidos. Assim como agora, este último. Você jamais imaginaria que eu estaria aqui. Jamais! Me chamava de covarde, de fraca. Zombava da minha fragilidade que para mim era uma qualidade e para você foi um instrumento de impávida vileza. Agora, fumando meu último cigarro, já escuto as sirenes. Escuto, Carlos. Elas gritam e eu estou cagando para elas. Sigo fumando. Afinal é meu último cigarro. E vou finalizando minha última carta para você. Sei que não lerá, sei que nunca leu. E agora que estás morto no sofá com a faca que lhe dei de presente e nem sequer ouvi um "obrigado". Devo dizer que nunca lhe vi tão bonito, ah Carlos essa faca realmente caiu bem em você. Felizmente esta carta não será desperdiçada, afinal você está tão morto quanto me fez sentir antigamente. Obrigado por não existir e me sentir viva com você uma única vez. Agradeço por este momento.
As sirenes berram.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Lamento da inexorável finitude.

Tenha uma vida digna. - Dizia a placa em frente da minha casa. Venho observando essa placa há anos e até hoje não sei dizer o que isso significa. O que vem a ser esta tal dignidade?
Isso não é uma ficção.
Nas noites que meu corpo flutua perambulando pela casa e dificilmente o sono aparece quando a cabeça esta cheia, penso nas probalidades e no sentido dessa frase.
Vamos aos fatos, buscando a resolução do problema.

1- Defina vida.
2- Defina dignidade.
3- Como ter as duas.

Nessas últimas noites a clave de sol parece um pouco deslocada das tablaturas. E o que parece a ser um sentimento em dó tende ao bemol. A orquestra dissonante de um hiato sensorial. Para facilitar a demonstração deste raciocínio noturno pego as definições do Priberam:


vida | s. f.

vida
s. f.
1. O período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres.
2. Modo de viver.
3. Comportamento.
4. Alimentação e necessidade da vida.
5. Ocupação, profissão, carreira.
6. Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade!atividade (diz-se das pessoas e das coisas).
7. Fundamento, essência; causa, origem.
8. Biografia.


2- Digno(a)




digno
adj.
adj.
1. Merecedor, credor, benemérito.
2. Brioso; pundonoroso; honrado; correcto!correto.
3. Ilustre; grande; nobre.
4. Hábil; capaz.
5. Merecido; correspondente ao merecimento; proporcionado.

Bem aqui cruzei alguns resultados.

- 3. Comportamento. 3. Ilustre; grande; nobre - Nesse caso acabei em um paradoxo... Comportamento Ilustre perante quem ou o quê?

4. Alimentação e necessidade da vida. 4. Hábil; capaz. - A vida isolada tem isso, não?

O que me chama atenção na definição de digno é justamente essa:

4. Hábil; capaz.

Viver requer muita habilidade e capacidade, e isso não é discurso otimista, devido ao fato que o aleatório se faz presente. Seria como jogar um jogo de azar mas onde a habilidade do jogador seja fundamental. E isso é apenas um pequeno extrato das coisas que passam na minha cabeça.


- Have a life, have a job. And now?

O contato social é algo extremamente complexo ora é bom ora ruim, não é que nem um pedaço de lazanha ou um café com cigarro lendo um livro. A vida em si e seus demais aspectos forjam um rede sufocante. E a habilidade (capacidade) de flutuar sobre a teia é relevante. Talvez a vida e a dignidade não andem juntas, talvez andem. Mas o necessário seria relevar as probalidades e lidar com o caos que as mesmas juntas podem causar.

Apenas delírios notívagos sem nenhum propósito...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Correr ou lutar? - Nenhum.

É bem isso.
Nenhum.
Estranho? Simples, quantas vezes já lutasse contra algo que não há possibilidade de vitória e quantas vezes já corresse de confrontos inevitáveis?
A resposta é simples:
-Nenhum, além disso é inútil. Perder energia...
Face a face com tais possibilidades, sobra o tédio. Aquela sensação de Déja vu inesgotável. E tem horas que parecem que tenho um saquinho cheios de pocket déja vu.
Quando nada mais surpreende a gente, sobra a surpresa por coisas que normalmente não nos surpreenderiam. Logo, o efeito seria extremamente antagônico que o inicial. Algo tipo...psicologia reversa para newbies.
Outro assunto esbarra o tédio.
Se ele é indestrutível qual é o problema?
-NENHUM!
O mundo não é lá tão colorido assim para que todas as coisas sejam tão vermelhinhas ou rosáceas(é da flor mesmo). Não gosto da visão Doriana of life. Sentar à mesa com o sorriso borrachudo, a boca cheia de pão, cabelos loiros ao vento e aquela cara de retardado nojento olhando para os "familiares" com carinha de cãozinho feliz. Sinceramente eu odeio Margarina e odeio as propagandas de Margarina (embora não assista tv há mais de 4 anos, não gostava das propagandas mesmo).
E que artefato inútil essa tal televisão.
Sobra outra probabilidade:
-Famílias imperfeitas - Não recordo de outras propagandas, não vejo tv lembram?
Igual, não faz sentido nada nesse post, e o que na nossa vida faz sentido?
Ser tragado pela alegria ou pela tristeza?
Margarina ou Manteiga?
Correr ou lutar?
Nenhum.
Sobra então a noite. E ela é toda minha.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A opção pela "dor".


A noite parece me engolir. Tudo vai escorregando lentamente pela ponta dos meus dedos. Sofrimento é uma definição a qual nos apegamos para explicar o que não é gozo. O copo de vinho tragado pelas sombras externas, completam-se na umbra interna.
Pele pálida que enegrece ao sentir o que não (já)mais sente.

Mãos que batem alucinadamente nas teclas anseando desesperadamente por coisa alguma. A luz externa mescla-se com esse desespero, aglutinando-se em forma de loucura. Ah, loucura breve que não me tira todos os sentidos. E tem horas que gostaria de fechar meus olhos e acordar possuído por essa sensação e quem sabe, nunca mais voltar.
Houve um tempo que caminhava e acreditava que era diferente.
Mas já sabemos que essa não é a mais a verdade. Sabemos que tudo é visto de cima e nunca por dentro. Que não se lê pensamentos e que o véu sempre é descoberto mostrando-nos o que não se quer e nem se deve ver.
Como somos tolos achando que as coisas são passageiras ou eternas. Infelizmente elas coexistem em cada esquina, cada banco de café, cada tijolinho da rua. Era uma janela que jorrava esperança e agora nem janela há. É uma porta de baú onde me enclausurei pelo lado de dentro e joguei a chave fora.

"Se quisesse um pouco de sinceridade buscava os russos pré-revolução" - Charles Bukowski.

Dá pra tirar muitas metáforas dessa frase, que tem um sentido linear e óbvio. Mas sempre distorcemos o que lemos ou escutamos trazendo para uma reconfiguração de acordo com o que passamos ou vamos passar. Nesse exato momento me sinto nu. Não de corpo, mas de alma. Vejo meus sentires e minhas ânsias de uma maneira que nunca vi. Nosso maior medo é deixar transparecer as coisas, não?
Medo de ser sincero, medo de ser honesto.
É esse e outros medos que nos deixam fraco, nos torna aquém de pessoas. Meros esboços desleixados. Arturo, Arturo Bandini, cujo nome ecoou em minha cabeça agora.
Esse pó, essa dor. Essa busca pela aceitação... "O cachorrinho sorriu".
Talvez o pó saiba mais que quaisquer um de nós. Só ele foi testemunha, só ele sabe o que viu. As lágrimas que vivenciou, os sorrisos falsos. O escárnio!
Mas... o "cachorrinho sorriu",
O filho que abandonou a Mãe, largou tudo! E foi tentar em Bunker Hill a sorte.
Sorte?


A chuva caí la fora...
Ela é tão forte que me desmembra. E pela primeira vez em alguns anos sinto que nos tornamos um. O mesmo compasso...
São tantos pingos os vejo em vermelho, preto e cinza. Essas são as cores que mais vejo durante a minha vida. Algumas pessoas são vermelhas mas a grande maioria é cinza.

"(...)como odeio você, sua suja. Mas é mais limpa que eu, porque não tem nenhuma mente para vender, apenas aquela pobre carne.(...)" Pergunte ao pó - trecho.

Essa parte ainda me atormenta, penso muito sobre isso. Por que será que pessoas vendem-se por tão pouco, não só carne (que aliás é o menor dos males) mas sim o pensamento. De construir uma imagem inatingível e depois...simplesmente desmoronar-se entre si e os outros, sobretudo a si mesmo.

Pergunte ao pó, certamente ele saberá mais que eu. Pois ele sabe onde estive. E em breve me juntarei a ele.

sábado, 10 de outubro de 2009

Human Error

J.B Greuze - Espelho quebrado (um dos meus favoritos dele)
A máxima das máximas do lugar comum:
"Errar é humano."

Pois bem, o cara que proferiu essa frase pela primeira vez era muito esperto. Acredito eu que ele a usou para desculpar-se de algum erro que fez afinal...todos erramos, certo?
Continuando, se todos erramos partimos para a questão:
Por que erramos?
Não acho que exista tal resposta, até porque talvez eu seja humano também ou também erre. Mas só o desfecho conta? Então, colocamos fora um livro fora porque o final não nos agradou?
Tantas metáforas para explicar o que não tem explicação.
Ultimamente tenho visto coisas que não quero ver:
Pessoas, lugares, situações, sentimentos e blabla. De certa forma a maioria dos problemas vem de um lugar externo pois dialogam intrinsecamente com o interno. Um erro parece o motor para vários, e uma desculpa uma permissão para tantos outros.
Todavia, seria julgar um livro pela capa ou um sabor pela aparência. É nessas horas que penso que deveria ponderar mais, ou simplesmente não dar a mínima.
No fundo é mais satisfeito aquela pessoa que é enganada e sabe que está sendo enganada do que aquele que engana os outros e a sí mesmo.
Veja bem, não é demérito nenhum ser enganado. Pelo contrário, uma das poucas coisas que mantém alguém humano não é errar, mas sim confiar.
E em erros e acertos o que resta?
Absolutamente nada!
No auge dos meus vinte e nove anos, a única coisa que vi entre os tais humanos:
-Mentiras, hipocrisias, enganações etecetera.
Não posso me excluir dessa situação, não posso negar que já bebi desse vinho. O que vale para os outros vale para mim também.
Os dias e horas passam como navalhas sob minha carne e o tempo so dilacera o que há por dentro, acho que quanto mais tempo passa mais os ossos, carne e músculos sofrem uma mutação provocada pelo olho da medusa social nos enrijecendo mais e mais.
Em alguns momentos a dura casca parece quebrar, mas quando a "chuva" está para chegar sempre existe algo que a bloqueia então o externo embebe-se na claridade escura e o interno "diluveia-se" por completo.
Sobra aquela parte... a parte mais escura. E quando fala-se dela, entoam canções citam nomes que ela não pertence. Atribuem nomenclaturas e a forram de maniqueísmo. Quando na verdade é só o "lado escuro da lua".
Vejo minha vida em um espelho e ele está quebrado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Rompante noturno


"(..)A traição fez o que sabe fazer melhor: bem aço, nem veneno, nem intrigas internas,

nem levantes estrangeiros, nada mais pode atingi-lo." Macbeth, terceiro ato, cena II.




É a voz que escuto. Algumas vezes fico atordoado.
Rervebera por dentro, corrói-me as entranhas.

Minha única cria, meu legado.

Ora sou alegria.

Ora amaldiçoado.

Verdade é o que sou.

Raiva o que se tornou.

Arma dos que nada possuem.

E nela os mais ricos.

Lâmina afiada.

Inquebravel.

Intolerável.

Beleza bruta que não se maquia.

Seja o que for. A qualquer custo.

Não me perco no caminho.

Mesmo que cego ou surdo.

Pois é só o que vejo e escuto.

Espada e escudo.

Aos inimigos a morte.

Para mim tudo!