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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Lamento da inexorável finitude.

Tenha uma vida digna. - Dizia a placa em frente da minha casa. Venho observando essa placa há anos e até hoje não sei dizer o que isso significa. O que vem a ser esta tal dignidade?
Isso não é uma ficção.
Nas noites que meu corpo flutua perambulando pela casa e dificilmente o sono aparece quando a cabeça esta cheia, penso nas probalidades e no sentido dessa frase.
Vamos aos fatos, buscando a resolução do problema.

1- Defina vida.
2- Defina dignidade.
3- Como ter as duas.

Nessas últimas noites a clave de sol parece um pouco deslocada das tablaturas. E o que parece a ser um sentimento em dó tende ao bemol. A orquestra dissonante de um hiato sensorial. Para facilitar a demonstração deste raciocínio noturno pego as definições do Priberam:


vida | s. f.

vida
s. f.
1. O período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres.
2. Modo de viver.
3. Comportamento.
4. Alimentação e necessidade da vida.
5. Ocupação, profissão, carreira.
6. Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade!atividade (diz-se das pessoas e das coisas).
7. Fundamento, essência; causa, origem.
8. Biografia.


2- Digno(a)




digno
adj.
adj.
1. Merecedor, credor, benemérito.
2. Brioso; pundonoroso; honrado; correcto!correto.
3. Ilustre; grande; nobre.
4. Hábil; capaz.
5. Merecido; correspondente ao merecimento; proporcionado.

Bem aqui cruzei alguns resultados.

- 3. Comportamento. 3. Ilustre; grande; nobre - Nesse caso acabei em um paradoxo... Comportamento Ilustre perante quem ou o quê?

4. Alimentação e necessidade da vida. 4. Hábil; capaz. - A vida isolada tem isso, não?

O que me chama atenção na definição de digno é justamente essa:

4. Hábil; capaz.

Viver requer muita habilidade e capacidade, e isso não é discurso otimista, devido ao fato que o aleatório se faz presente. Seria como jogar um jogo de azar mas onde a habilidade do jogador seja fundamental. E isso é apenas um pequeno extrato das coisas que passam na minha cabeça.


- Have a life, have a job. And now?

O contato social é algo extremamente complexo ora é bom ora ruim, não é que nem um pedaço de lazanha ou um café com cigarro lendo um livro. A vida em si e seus demais aspectos forjam um rede sufocante. E a habilidade (capacidade) de flutuar sobre a teia é relevante. Talvez a vida e a dignidade não andem juntas, talvez andem. Mas o necessário seria relevar as probalidades e lidar com o caos que as mesmas juntas podem causar.

Apenas delírios notívagos sem nenhum propósito...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Correr ou lutar? - Nenhum.

É bem isso.
Nenhum.
Estranho? Simples, quantas vezes já lutasse contra algo que não há possibilidade de vitória e quantas vezes já corresse de confrontos inevitáveis?
A resposta é simples:
-Nenhum, além disso é inútil. Perder energia...
Face a face com tais possibilidades, sobra o tédio. Aquela sensação de Déja vu inesgotável. E tem horas que parecem que tenho um saquinho cheios de pocket déja vu.
Quando nada mais surpreende a gente, sobra a surpresa por coisas que normalmente não nos surpreenderiam. Logo, o efeito seria extremamente antagônico que o inicial. Algo tipo...psicologia reversa para newbies.
Outro assunto esbarra o tédio.
Se ele é indestrutível qual é o problema?
-NENHUM!
O mundo não é lá tão colorido assim para que todas as coisas sejam tão vermelhinhas ou rosáceas(é da flor mesmo). Não gosto da visão Doriana of life. Sentar à mesa com o sorriso borrachudo, a boca cheia de pão, cabelos loiros ao vento e aquela cara de retardado nojento olhando para os "familiares" com carinha de cãozinho feliz. Sinceramente eu odeio Margarina e odeio as propagandas de Margarina (embora não assista tv há mais de 4 anos, não gostava das propagandas mesmo).
E que artefato inútil essa tal televisão.
Sobra outra probabilidade:
-Famílias imperfeitas - Não recordo de outras propagandas, não vejo tv lembram?
Igual, não faz sentido nada nesse post, e o que na nossa vida faz sentido?
Ser tragado pela alegria ou pela tristeza?
Margarina ou Manteiga?
Correr ou lutar?
Nenhum.
Sobra então a noite. E ela é toda minha.


sábado, 10 de outubro de 2009

Chuva Vermelha

Tem coisas que deveriam ficar fechadas. Portas que nunca deveriam ser abertas, e assim é o que somos.
Portas. Janelas. Buracos.
É aquela hora que se observa o que não existe, mas de certa forma existe, formando nuvens negras à tua volta. E as nuvens relampeiam, chovem e gritam estrondosamente. A tempestade formada no vácuo.
No olho do furacão formam-se rostos, corpos e pesadelos que não deveriam estar naquele lugar, mas estão. Te encaram com olhos vermelhos e o máximo que consegue sentir é um esboço de uma emoção. E aquela água toda, aquele vento te encobrem por completo.
Ah, caímos tão lentamente mas sentimos o impacto multiplicado por mil. A velocidade é uma inconstância da alma. Em dias que tempo parace apenas uma musiquinha em uma caixa de som antiquíssima feita de cedro.
A música é só um adendo quase que imperceptível, já que os trovões alardeam o nada. Viver parece isso, uma chuva. E não chove para sempre...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Rompante noturno


"(..)A traição fez o que sabe fazer melhor: bem aço, nem veneno, nem intrigas internas,

nem levantes estrangeiros, nada mais pode atingi-lo." Macbeth, terceiro ato, cena II.




É a voz que escuto. Algumas vezes fico atordoado.
Rervebera por dentro, corrói-me as entranhas.

Minha única cria, meu legado.

Ora sou alegria.

Ora amaldiçoado.

Verdade é o que sou.

Raiva o que se tornou.

Arma dos que nada possuem.

E nela os mais ricos.

Lâmina afiada.

Inquebravel.

Intolerável.

Beleza bruta que não se maquia.

Seja o que for. A qualquer custo.

Não me perco no caminho.

Mesmo que cego ou surdo.

Pois é só o que vejo e escuto.

Espada e escudo.

Aos inimigos a morte.

Para mim tudo!